Pesquisar neste blog

Mostrando postagens com marcador Tem Coisas Que a gente se Apega. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tem Coisas Que a gente se Apega. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Tem Coisas Que a Gente se Apega (1999) - Balanço do Raízes

Esse é o balanço do raízes
Que chegou para ficar
O fandango é animado
E ninguém para de dançar
Muita gente ta de fora
Mas ta louca pra entrar
O raízes tá no palco
E de fora eu não vou ficar

Tem Coisas Que a Gente se Apega (1999) - Pedaços de minh'alma

As horas alegres que passamos juntos
Tinham teus sorrisos
Eras flor do rancho, ternura e encanto
Do meu paraíso
Quando assim de branco, trazias a vida,
Pelas tuas mãos
E quando falavas, muitas primaveras,
Em teu coração

Pedaços de minh’alma
E o brilho dos olhos se foram contigo
E agora nas tardes só tenho a saudade
Saudade tua pra matear comigo

Os pingos da chuva, caindo no rancho
Me trazem teus passos
E o vento que entra, no vão da janela,
Traz os teus abraços
Em cada coisa, dessas nossas coisas,
Tem muito de ti
Nesta tua imagem, que ficou comigo,
Que não esqueci

Deixastes desertos, na minha existência,
Quando tu partistes
Até as cantigas, que tu mais gostavas,
Hoje são tão tristes
Aquela luz, que não abrio os olhos
Se fez uma estrela
Nas minhas noites, olhando pra o céu,
Eu consigo vê-las

Tem Coisas Que a Gente se Apega (1999) - Bastantão

Que saudade do meu tempo
Agora vou recordar
Fuzarqueando campo afora
Vou algum baile campear
Procuro algum resmundo
Da cordeona galponeira
Saio cortando estradas
Pronto pra levantar poeira

La no alto da coxília
Já escuto a marcação
Da gaita véia campeira
Na base do bastantão
Olha o bastantão, olha o bastantão
Que voltou para ficar
Olha o bastantão, olha o bastantão
Hoje eu quero dançar

Cruzo serra e cruzo campo
No meu potro marchador
Quando chegar no fandango
Vou bailar com meu amor
Eta morena faceira
De deixar o vivente louco
Vai balançando a carqueja
Que uma noite só é pouco

Tem Coisas Que a Gente se Apega (1999) - Cavalo alazão

Tenho um cavalo alazão,
Que é meu amigo de fato
Anda comigo na estrada
Pra visitar os companheiros
Não tem sol ou tempo feio
Que nos tire do caminho
Não tem buçal ou fucinho
Quando vou parar rodeio

Quem cuida deste cavalo
É minha mãe, dona maria
Chamou-lhe de tarumã
Batismo de coração
Quando tem festa no pago
Me aprumo bem a preceito
Meu cavalo tem respeito
Nas carreiras do rincão

Corre a carreira meu cavalo companheiro
Corre, corre bem ligeiro
Pra com sobra tu chegar
Corre a carreira meu cavalo companheiro
Mete patas bem faceiro
Que é pra vida se aprumar

Este cavalo que falo
Ta la em são luiz gonzaga
La no primeiro distrito
Onde mora si’a maria
Benzedeira mais famosa
Que existe nas redondesas
É buena tenho certeza
Me curou com brasa fria

Meu velho torrão amado
Quero voltar a são luiz
Este chão que eu sempre quis
Onde ando sempre falo
Pra montar meu alazão
E visitar os amigos
Que trago junto comigo
Pois a saudade é um pealo

Tem Coisas Que a Gente se Apega (1999) - Estampa de Gaúcho

Vejam a estampa do gaúcho
Vai acomodado nos arreios
Chapéu aba doze contra o vento
No punho direito escorre um relho
Bota rucilhona e as chilenas
Vai a trote largo estrada afora
É uma bandeira do rio grande
Em qualquer lugar por onde ande
Levando batalhas na memória

Traz o gaúcho a marca do pampa
É do gaúcho esta rude estampa

O pala enchardado de recuerdo
No pescoço o lenço colorado
Como o miunano vai cortando
Coxília e canhadas deste pago
Se confunde ao longe entre o horizonte
Pois da paisagem ele faz parte
Preso na encilha leva o laço
No lombo do pingo com seu braço
Alargou fronteiras no combate

Tem Coisas Que a Gente se Apega (1999) - Um amor de baile

Quando o baile começou
Você de mim se aproximou
E eu amei, ah como eu amei
Com seu jeito de menina
Brilho de estrela divina
E eu amei, eu me apaixonei

Seu vestido rodava feito um carrocel
Levando os meus sonhos para além do céu
E eu amei, amei, eu me apaixonei

Pois quando o baile terminar
Eu vou embora
Por isso quero te amar agora
Dança, prendinha dança
Me da esperança de te namorar

Quando o baile teve fim
Você se despediu de mim
E eu chorei, ah como eu chorei
Tentei com você falar
Mas não pude te encontrar
Então chorei, eu me apaixonei

O meu sonho de amor
Não se apagou
Pois cheia de carinho
Você voltou e eu amei, amei
Eu me apaixonei

Tem Coisas Que a Gente se Apega (1999) - Léria

Um passito para cá
Um passito para lá
Remexendo a cintura
Remexendo sem parar

Mexe, mexe os escabeche
Só pra ver o que acontece
Mexe, mexe os escabeche
Só pra ver o que acontece

“Óia a môca” Dinorá
“Bamo atracá e bamo atracá”
“Óia a môca” dinorá
“Bamo atracá e bamo atracá”

O Pauléria, o Bexigão
O Ado, o Pei e o “kid Zu”
São uns índios do rio grande
Mandemo pro “redevú”

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tem Coisas que a Gente se Apega (1999) - Lá vem o trem

 Lá vem, lá vem o trem
Quem sabe traga notícia de alguém

“Luá”, violão
Notas da mesma canção
Perdoar e entender
Ensinar e aprender

(Refrão)
Ser feliz é ter você no meu cantar
E é por isso que eu estou a te esperar
Nesse trem pode estar a esperança
Que estou a esperar
 Lá vem, lá vem o trem
Quem sabe traga notícia de alguém

Nuvem, chove
Molha o rosto dela pra mim
Flores, crescem
Enfeitando o meu jardim
 
(Refrão)

Tem Coisas Que a Gente se Apega (1999) - Baile pra véio

(Refrão)
Vou fazer baile pra véio dançar
Que tenha sessenta, setenta ou oitenta
Se você tiver menos de quarenta
Eu acho que não entra, eu acho que não entra

Esse baile ta muito falado
Muito comentado por ser novidade
Vai dançar véio la dos arrebalde
Véio la do campo véio da cidade

A veiarada tá se apreparando
Se empiriquitando pro forrobodó
Vai dar canseira vai dar tossideira
E a veiarada com sorococó

(Refrão)

Moçada nova se metendo a sêbo
Espiando os véio nesse vai-e-vem
Ficam espantado ficam admirado
Ao verem a cisma que esses véio tem

Vai terminar o baile da pelanca
A veiarada num pra lá e prá cá
Dançaram xote, bugio e rancheira
Se não der jeito vão a noite inteira
Porque o gaiteiro não sabe parar

Tem Coisas Que a Gente se Apega (1999) - Temporal

Eta chuva guasqueada
No rancho pranchada, igual barbaquá
Quero-quero campeiro
Se entrincheira ao saleiro pra tentá escapá

A barba de bóde
Se curva o que pode à maestria do vento
Dois tauras ginetes
Se vem “a la suerte” no paletaço do tempo

(Refrão)

É fundo de campo, alma-pirilampo
Boca de invernada
Quando aqui “baixa o céu”
E “inverte o seu véu”
Desce o mundo de água

O gado matrão
Se vai pro capão pra o couro aliviar
E os cavalo “de andeira”
Se vem pra mangueira pro lombo “secá”

A peaonada reparte
A ciranda do mate ao fogo de chão
Se entrevera na “goela”
Um canto de espera num xucro galpão

(Refrão)

Tem Coisas Que a Gente se Apega (1999)/Donde se Forma o Rio Grande (2000) - Bagual da Madrugada

Não tem medo de peleia
Sangue de louco nas veia
Enfrenta até o tinhoso
Tem estampa de galã
Primo irmão do “don juan”
Com fama de carinhoso
Anda sempre bem becado
De cabelo aparado
Água de cheiro importada
Ele é o rei da conquista
Já ta com fama de artista
O bagual da madrugada

(Refrão)
Ele é o bagual da madrugada
Ele é a esperança
Das mulheres mal amadas
Ele é o bagual da madrugada
Entra na fila guria
Que eu to com a agenda lotada

Não dura muito o cambicho
Passa em tudo que é bolicho
Procurando nova presa
Tapa a china de carinho
Disfarça e sai de mansinho
E as “vêz” nem paga a despesa
Vira a noite do avesso
De celular e endereço
Tem uma agenda lotada
Vai recorrendo o espinhel
Diz que já nasceu com mel
O bagual da madrugada
 
(Refrão)
"Agora nós "vamo" contá pra vocês
qual é que é, o segredo
do bagual da madrugada"

Ele sabe tudo dessa psicologia
De buteco e de paixão
Olha que eu passei por isso
Deixa que eu tiro o feitiço
Dessa tua solidão
Tu pode contar comigo
Eu vou te mandar um livro
Pra curar a tua dor
E não tem de “côsa” e “lôsa”
Se tu precisar das “côsa”
Hoje eu te tapo de amor

(Refrão)

Entra na fila guria
Minha agendinha ta lotada

Entra na fila guria
Senão tu não arruma nada

Entra na fila guria
Do bagual da madrugada

Tem Coisas Que a Gente se Apega (1999) - Gaita de botão

Uma gaita velha de botão
Faz uma fogueira no salão
De duas ilheiras corcoveando
Empurrando o baile no assoprão
Abre a porteira do rio grande
Vem abrindo cancha o vanerão

Bamo moçada
Que uma noite não é nada
Num surungo de galpão
Saracoteando
No balanço missioneiro
Da gaitinha de botão

Povo que não dança se balança
Ou então que cuide das crianças
Ala puxa teu que baile bom
É a alegria do rincão
Abre a porteira do rio grande
Vem abrindo cancha o vanerão

Tem Coisas Que a Gente se Apega (1999) - Tiro de laço

Tiro de laço é quando um índio campeiro
Espicha o braço e a armada corta o vento
Cerra certeira nos dois “tôco” e vem o gancho
Depois recolhe e vai amarrando nos tentos
Tiro de laço é o pealo de cucharra
Quando se abre a porteira da mangueira
Nas duas patas é onde a armada cerra
E o touro berra e deita beijando poeira
Tiro de laço é pegá por sobre o lombo
Se dá pescoço é mais dificil segurar
Aumenta a força e o matungo corcoveia
O boi pateia e não é fácil de afirmá

Grita o xirú, o touro berra, o laço corta o espaço
Cerra os dois tôcos, cincha nos tentos
Sai o peão pacholando, que baita tiro de laço

Acho bem lindo um pealo num redomão
Ou num gavião que anda mal acostumado
Lembro das lidas de quando nascem terneiros
Em que peleava orelhando pra ser curado
Tiro de laço salvação do carneador
Quando o boi gordo pressente o aço afiado
Dando-lhe pata se bandeia pra restinga
Não sabe ainda que ao costear vai ser laçado
Então o guapo leva o maula pro palanque
Na “iapa” boi noutra o pingo “guenta” o guascaço
Mas o matreiro deu churrasco pra peonada
Que entusiasmada exalta o tiro de laço